Projeto Meu cabelo sou eu é lançado em Macaíba

Uma iniciativa pioneira no sentido de valorização da identidade e da beleza afro-brasileira foi lançada na manhã desta sexta-feira (19) na Casa de Cultura Popular. Trata-se do projeto “Meu cabelo sou eu”, fruto de parceria entre a Secretaria de Cultura e Turismo de Macaíba e o Studio Daychella, especializado no tema. Na primeira etapa, parte teórica, o projeto irá percorrer diversas comunidades promovendo diálogos, através de rodas de conversas, onde crianças, adolescentes e adultos poderão se conscientizar sobre assuntos como ancestralidade, racismo, preconceito, padrões de beleza e cuidados capilares.

Desse modo, poderão ser desconstruídas ideias erradas que vem sendo mantidas há muito tempo pela sociedade em relação aos cabelos com curvatura (cacheados e crespos). Também haverá orientação psicológica sobre autoestima e identidade cultural nas escolas. Outras secretarias serão integradas ao projeto, a exemplo de Educação, Saúde e Assistência Social.

Em sua parte prática, esse projeto será focado na inclusão social e no desenvolvimento econômico, visando estabelecer, futuramente, a primeira Escola de Trancistas do Rio Grande do Norte em nosso município, treinando jovens das comunidades sobre o saber ancestral de fazer tranças e incentivando o afroempreendedorismo.

“O projeto ‘Meu cabelo sou eu’ não será limitado aos cuidados com o cabelo, mas será uma grande oportunidade de mostrar o valor do povo negro, nossa história, nossa identidade e que somos capazes de ocupar os espaços que nos têm sido negados por séculos neste país.”, ressaltou o secretário municipal de Cultura e Turismo, Sérgio Nascimento.

Ainda falando sobre o projeto, o público presente teceu muitos elogios. “Vai trazer representatividade para nossas crianças em processo de transição capilar. Muitas delas já sofreram piadas de mau gosto nas escolas, que o cabelo é ‘duro’, ‘isso’ e ‘aquilo’. Então, vai abrir os olhos dessas crianças para mostrar o quanto os cabelos delas são bonitos, e que elas podem fazer o que quiser e do jeito se sentir à vontade.”, disse Camila Mesquita, auxiliar de trancista.

“Em relação à identidade e à parte histórica, as pessoas se verem em todos os lugares e profissões com seus cabelos, suas tranças e penteados afros. Todos nós temos muito a aprender sobre essa história, porque todo mundo tem um pouco de afrodescendência.”, ressaltou Lipe Oliveira, influencer. “É de extrema importância ter esse projeto. Vai fazer muita diferença, porque muitas vezes as pessoas pretas não se sentem representadas como realmente deveriam.”, destacou Aparecida Inácio, pedagoga.

Fotos: Maxson Savelle

Assecom-PMM